17/09/2015
05/02/2015
PIODÃO 2015

Travessia da Serra do Açor
Esta é uma das mais desconhecidas serras de Portugal, mas
talvez uma das mais belas. Tem uma beleza própria, quer pela vegetação que a
cobre em grande parte da sua área, matos, bosques de pinheiros, castanheiros,
carvalhos ou eucaliptos em certos locais, quer porque nos permite avistar
noutras perspetivas, serras bem conhecidas como a Estrela, a Lousã, o Caramulo,
a Gardunha que são as suas vizinhas mais próximas, mas ainda a vista alcança o
Alentejo, a Espanha e as imediações do Douro.
A Serra do Açor está ligada à Estrela nas Pedras Lavradas
e à Lousã pelo Penedo de Góis. Tem duas cumeadas separadas pelo vale do rio
Ceira afluente do Mondego e situa-se entre os rios Alva e Zêzere, constituindo
um maciço com cerca de 35 Km de comprimento por 30 de largura aproximadamente.
O seu ponto mais elevado é o Picoto de Cebola, com 1418 metros de altitude e
tem outros bem altos como o pico de S. Pedro do Açor, a Rocha, O Colcurinho e o
Gondufo. Estende-se pelos concelhos da Covilhã, Seia, Oliveira do Hospital,
Arganil, Pampilhosa da Serra e Góis.
A serra tem algumas áreas que, pela sua riqueza e
características vegetais fazem parte da Rede Natura: destacam-se o
Picoto de Cebola, S. Pedro do Açor, os Penedos de Fajão, o azinhal das Meãs e, pela
sua massa vegetal e riqueza florística, a Mata da Margaraça: esta Mata
constitui uma das raras e mais significativas relíquias que restam da floresta
que cobriu a maior parte das encostas de xisto do centro de Portugal. A Mata da
Margaraça, com uma superfície de cerca de 68 hectares (propriedade do ICNB),
situa-se numa encosta bastante declivosa de exposição N-NW e com uma altitude
que varia entre os 400 e os 750 metros. Apresenta uma composição vegetal única,
encontrando-se atualmente rodeada por zonas de mata e campos agrícolas.
O percurso inicia-se em Casegas, aldeia do concelho da
Covilhã, situada nas margens da ribeira que separa as serras da Estrela e do
Açor, e que nasce na confluência destas serras, atravessa o Sobral de São
Miguel, segue pela portela entre o Picoto de Cebola, o Gondufo e S. Pedro do Açor, até
chegar junto deste e atingir a freguesia do Piódão entre as povoações de Chãs
de Égua e Malhada Chã, começando então a descer para o Piódão, subindo desde os
400 metros de altitude em Casegas, até aos cerca de 1380 no Açor.
Este caminho é uma parte daquele que há muitos anos as
gentes de Casegas faziam pela serra, quer quando, em Julho, iam à romaria da
Senhora das Preces, ou se dirigiam aos mercados de Coja, Oliveira do Hospital
ou Arganil pela “Rota do Sal”, (que coincide com a “Rota da Lã”, em muitos
quilómetros do seu percurso, documentadas desde a Idade Média, a do Sal
diretamente para o litoral, a da Lã até Tomar). Era esta a rota que abastecia o
interior, a partir do litoral, de peixe salgado e sal e escoava as produções
têxteis, os gados, os queijos e outros produtos do interior serrano e fabril.
Por esta estrada “real”, especialmente protegida pelos nossos reis desde a
Idade Média, quando a “reconquista” se dava por finda, povoada de diversas
“catraias”, estações de mudas de cavalos e ponto de pernoita nesses caminhos
inóspitos. O percurso destas “Rota do Sal” e “Rota da Lã”, passa junto da
primeira destas “pousadas”, a do “Souto Negro” à saída de Casegas e ainda na de
S. Pedro do Açor, antes do Piódão. Só deixaria de ter importância decisiva
quando o caminho-de-ferro da Beira Baixa foi inaugurado até à Covilhã, em 1893,
pelo rei D. Carlos e ficaram desertos os caminhos da “Rota do Sal” e da “Rota
da Lã”.
As pessoas desde muito cedo povoaram esta serra: temos
vestígios do Neolítico, e da Idade do Bronze em muitos locais, são as gravuras
rupestres efetuadas provavelmente por populações de pastores nómadas. Da época
romana há vestígios de mineração e na Idade Média, os nossos reis e os grandes
senhores feudais, procurando povoar todo o reino, deram forais a várias
povoações e procuraram promover o estabelecimento de gente, oferecendo regalias
aos moradores. Se assim não fosse, como se explicaria o imenso número de
aldeias que pontuam esta serra em todos os vales onde a fertilidade da terra e
a água oferecem algumas condições de vida, embora pouco atrativas? Como se
explicariam povoações como o Piódão, a Covanca, a Malhada Chã, os Chãs de Égua,
Fajão, Unhais-o-Velho e Meãs, Sobral de S. Miguel e Cebola (S. Jorge da Beira)
e muitas outras aldeias, implantadas em locais inóspitos, de difícil acesso e
de pouca terra fértil? Não foi apenas a pastorícia e a apicultura, mas também a
cultura do castanheiro, cereais, batata e no século XIX a exploração do carvão
de torga, a exploração mineira (Minas da Panasqueira) que deu algum rendimento
aos serranos.
A terra era fértil em certos locais, mas pouca
para a população em crescendo, a vida era difícil e muitos tiveram que emigrar
ao longo dos últimos 100 anos. No entanto há futuro aqui: hoje é o turismo
(pedestrianismo, turismo de ambiente e natureza, turismo cultural…) e algumas
atividades como a apicultura, a pastorícia (caprinicultura), a caça, em que a
conjugação da tradição com a modernidade parece fazer a estrada do futuro.
Apesar de as cumeadas terem sido transformadas em centrais eólicas de produção
de energia, a beleza da serra mantém-se.
24/12/2014
09/12/2014
ROTA DOS GANHÕES 2014
Mais uma rota por trilhos ancestrais, passagem por ribeiras, levadas centenárias e locais de passagem de animais selvagens. Como não podia faltar nesta data, o almoço será uma couvada.
03/11/2014
31/08/2014
NORMAS DO PEDESTRIANISMO
As Normas do Pedestrianismo, já elaboradas há
muito tempo, foram feitas, para que todos os futuros participantes nas actividades
pedestres tenham noção do que se deve seguir e respeitar.
São compostas por apenas três
artigos, para não serem “maçudas”, e não devendo ser tais normas entendidas
como uma obrigação fundamentalista, mas somente uma indicação para que cada um,
se quiser, as respeitar.
NORMAS DO PEDESTRIANSMO
NORMAS DO PEDESTRIANISMO
1 – O Pedestrianismo é uma actividade de
lazer, feita em segurança, onde nunca poderá existir competição, pelo que todo
o caminheiro deverá saber esperar e ajudar quem esteja em dificuldade.
2 - O Pedestrianismo é uma actividade de
partilha e comunhão, como tal não deverá ser descriminado qualquer
participante, por motivos raciais, económicos, religiosos, culturais, políticos
ou clubísticos.
3 – O Pedestrianismo deverá reger-se pelo
respeito da fauna e flora, do património, bem como dos bens pertença de quem gentilmente autoriza esta actividade dentro
da sua propriedade.
12/03/2014
20/01/2014
24/12/2013
25/11/2013
09/10/2013
07/05/2013
Travessia da Serra do Açor: de Casegas a Meãs pelo Picoto de Cebola
Repetimos a travessia da Serra do Açor, pelo seu pico mais elevado, os 1418 metros do Picoto de Cebola-Meãs. Nesta época do ano, o panorama da flora dos locais mais elevados é deslumbrante, a paisagem que se alarga pelas vistas sobre a Estrela, a Gardunha, a cumeada norte do Açor, a serra da Lousã, dá-nos ainda uma perspectiva sobre a Beira Baixa (vê-se Castelo Branco), o Alto Alentejo, a Espanha (vê-se a sierra de Gata) e a serra da Boa Viagem na Figueira da Foz. É dos locais do nosso país com uma panorâmica mais abrangente. Vale a pena.
02/04/2013
Caminho do xisto da Benfeita e Mata da Margaraça
Começando na aldeia do Xisto da Benfeita, passando por Sardal e Pardieiros na Serra do Açor, atingimos a Fraga da Pena e regressamos à Benfeita pela margem da ribeira da Margaraça.
Serra do Açor e Mata da Margaraça
Esta
é uma das mais desconhecidas serras de Portugal, mas talvez uma das mais belas.
Tem uma beleza própria, quer pela vegetação que a cobre em grande parte da sua
área, matos, bosques de pinheiros, castanheiros, carvalhos ou eucaliptos em
certos locais, quer porque nos permite avistar noutras perspectivas, serras bem
conhecidas como a Estrela, a Lousã, o Caramulo, a Gardunha que são as suas
vizinhas mais próximas, mas ainda a vista alcança o Alentejo, a Espanha e as
imediações do Douro.
A Serra do Açor está ligada à
Estrela nas Pedras Lavradas e à Lousã pelo Penedo de Góis. Tem duas cumeadas
separadas pelo vale do rio Ceira afluente do Mondego e situa-se entre os rios
Alva e Zêzere, constituindo um maciço com cerca de 35 Km de comprimento por 30
de largura aproximadamente. O seu ponto mais elevado é o Picoto de Cebola, com 1418 metros de altitude
e tem outros bem altos como o pico de S. Pedro do Açor, a Rocha, O Colcurinho e
o Gondufo. Estende-se pelos concelhos da Covilhã, Seia, Oliveira do Hospital,
Arganil, Pampilhosa da Serra e Góis.
A serra tem algumas áreas que, pela sua riqueza e
características vegetais fazem parte da Rede Natura: destacam-se o
Picoto de Cebola, S. Pedro do Açor, os Penedos de Fajão, o azinhal das Meãs e,
pela sua massa vegetal e riqueza florística, a Mata da Margaraça: esta Mata
constitui uma das raras e mais significativas relíquias que restam da floresta
que cobriu a maior parte das encostas de xisto do centro de Portugal. A Mata da
Margaraça, com uma superfície de cerca de 68 hectares
(propriedade do ICNB), situa-se numa encosta bastante declivosa de exposição
N-NW e com uma altitude que varia entre os 400 e os 750 metros . Pelo estudo
florístico verifica-se que esta formação vegetal é constituída, entre outras,
por: castanheiro (Castanea sativa Miller), carvalho-alvarinho (Quercusrobur
L.), azereiro (Prunus lusitanica L. ssp. Lusitanica)
medronheiro (Arbutus unedo L.), folhado (Viburnum tinus L. ssp. Tinus),
aveleira (Corylus avellana L.), cerejeira (Prunus avium L.),
gingeira (Prunus cerasus L.); no estrato subarbustivo predominam: a
gilbardeira (Ruscus aculeatus L.), a silva (Rubus coutinhoi Samp.),
e a madressilva (Lonicera periclymenum L. Subsp. Periclymenum). No
aspecto botânico a Mata da Margaraça apresenta também elevado interesse dado
que na sua flora existem espécies de grande interesse científico, como por
exemplo: Eryngium duriaei Gay ex Boiss., Genista falcata Brot., Luzula
sylvatica (Hudson) Gaudin subsp. Henriquesii (Degen.) P. Silva, Crepis
lampsanoides (Gouan) Tausch, Circaea lutetiana L., Sanicula
europaea L., Veronica micrantha Hoffmans. & Link., além de
espécies de valor hortícola ornamental tais como: lírio-martagão (Lilium
martagon L.), Narcissus triandrus L. var. cernuus (Salisb.)
Baker, Narcissus bulbocodium L., Linaria triornitophora (L.)
Willd., Omphalodes nitida Hoffmans. & Link., e o selo-de-Salomão [Polygonatum
odoratum (Miller) Druce], etc. Esta formação vegetal corresponde à
Associação denominada Rusco-Quercetum roboris subassociação Viburnetosum
tini da Aliança Quercion robori-pyrenaicae – característica do
noroeste da Península Ibérica – pertencente à Classe Querco- Fagetea. A
Mata da Margaraça, para além da floresta natural, inclui uma faixa outrora
explorada em regime de talhadia para a obtenção de varas de castanho, e
terrenos agrícolas que, abandonados, foram naturalmente substituídos por
floresta. Ainda na P.P.S.A. merece destaque a Fraga da Pena, que para
além de ser um local de grande beleza paisagística, apresenta um conjunto de
espécies florísticas de grande riqueza fitossociológica. Nesta zona
correspondente, surgem-nos algumas espécies heliófilas de cariz mediterrânico
como o trovisco (Daphne gnidium L.), o lentisco-bastardo (Phillyrea
angustifolia L.) e o Aderno (Phillyrea latifolia L.). São de realçar
as condições particulares de abrigo e humidade atmosférica para a existência de
várias espécies de briófitos (musgos) e de pteridófitos (fetos), cobrindo as
paredes de xisto ao longo da linha de água. Nas zonas de cotas mais elevadas,
ocorre a presença de matos (nalguns casos, muito degradados) pertencentes à Classe
Calluno-Ulicetea (urzes).
Esta
serra foi povoada desde tempos muito recuados: temos vestígios do Neolítico
(5000 anos A. C.) e da Idade do Bronze (2000 A . C.) em muitos locais, são as gravuras
rupestres efectuadas provavelmente por populações de pastores nómadas. Da época
romana há vestígios de mineração e na Idade Média, os nossos reis e os grandes
senhores feudais, procurando povoar todo o reino, deram forais a várias
povoações e procuraram promover o estabelecimento de gente, oferecendo regalias
aos moradores. Se assim não fosse, como se explicaria o imenso número de
aldeias que pontuam esta serra em todos os vales onde a fertilidade da terra e
a água oferecem algumas condições de vida, embora pouco atractivas? Como se
explicariam povoações como o Piódão, a Covanca, a Malhada Chã, os Chães de
Égua, implantadas em locais inóspitos, de difícil acesso e de pouca terra
fértil? Não foi apenas a pastorícia e a apicultura, mas também a cultura do
castanheiro, cereais, batata e no século XIX a exploração do carvão de torga, a
exploração mineira (Minas da Panasqueira) que deu algum rendimento aos
serranos. A vida era difícil e muitos tiveram que emigrar ao longo dos últimos
100 anos, mas há futuro aqui: hoje é o turismo (pedestrianismo, turismo de
ambiente e natureza, turismo cultural…) e algumas actividades como a
apicultura, a pastorícia (caprinicultura), a caça, em que a conjugação da
tradição com a modernidade parece fazer a estrada do futuro. Apesar de as
cumeadas terem sido transformadas em centrais eólicas de produção de energia, a
beleza da serra mantém-se.
08/03/2013
13/02/2013
27/01/2013
Subscrever:
Mensagens (Atom)













